“Eu, Corredor” debate superação e desafios das longas distâncias
28 de maio de 2026
Redação

O universo das corridas de longa distância foi o tema central do mais recente episódio do podcast “Eu, Corredor”, produção do portal Corre Leve, apresentado pelo jornalista Hermes de Luna. O programa reuniu os maratonistas Rafael Holanda e Rafaelly Leite, além da ultramaratonista Eliana Morena, em uma conversa marcada por relatos de superação, preparação física, disciplina e os desafios emocionais enfrentados por quem transforma a corrida em estilo de vida.

Durante o episódio, os convidados compartilharam histórias pessoais, experiências em provas de resistência e reflexões sobre a evolução da corrida de rua no Brasil. Em comum, todos destacaram que o esporte ultrapassa os limites da atividade física e se consolida como ferramenta de saúde, equilíbrio mental e transformação pessoal.

Corrida como recomeço e transformação

Os relatos dos participantes mostraram que a relação com a corrida surgiu em diferentes momentos da vida, mas ganhou significado semelhante: a busca por qualidade de vida, superação e pertencimento.

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Rafael Holanda contou que iniciou os treinos de forma mais estruturada logo após a pandemia, ao ingressar em uma assessoria esportiva. Segundo ele, o ambiente coletivo foi essencial para construir disciplina e permitir uma evolução gradual nas distâncias.

“O grupo cria um alicerce importante para o corredor amador. Você começa nos 5 quilômetros, depois vai evoluindo naturalmente”, destacou.

Já Eliana Morena revelou uma trajetória marcada por desafios físicos incomuns. Natural de Minas Gerais e residente na Paraíba há cerca de dez anos, ela explicou que começou a correr ainda em Santa Catarina, inicialmente em treinos de esteira. A ultramaratonista convive com uma vértebra extra na coluna, condição que lhe provoca dores ao caminhar ou permanecer muito tempo em pé. No entanto, de maneira surpreendente, o impacto e a biomecânica da corrida eliminam o desconforto.

“Caminhar me dói. Ficar parada me dói. Mas correr não”, afirmou.

A jornalista e apresentadora Rafaelly Leite também relembrou sua primeira maratona como um divisor de águas. Para ela, cruzar a linha de chegada representa uma conquista impossível de ser comprada.

“O dinheiro compra o tênis, a inscrição, o relógio. Mas não compra a corrida e a sensação de terminar uma maratona”, declarou.

O desafio físico e mental das maratonas

Ao longo do programa, os corredores reforçaram que disputar provas de longa distância exige muito mais do que preparo físico. Estratégia, resistência emocional e controle mental aparecem como fatores decisivos principalmente nos quilômetros finais.

Rafaelly Leite e Rafael Holanda dividiram parte do percurso da Maratona de São Paulo, considerada uma das provas mais desafiadoras do país devido à altimetria e às constantes subidas da capital paulista.

Rafael descreveu um dos momentos mais difíceis de sua trajetória esportiva durante os quilômetros 36 e 37 da prova. Segundo ele, ao atravessar um túnel extenso, o ambiente abafado e a sensação de falta de oxigênio desencadearam sintomas semelhantes a uma crise de labirintite.

“Naquele momento, precisei desacelerar, controlar a respiração e trabalhar a mente para conseguir terminar”, relatou.

Eliana Morena, acostumada a desafios ainda mais extremos, destacou que a maior distância já percorrida por ela em uma única competição foi de 65 quilômetros, concluídos em aproximadamente seis horas, durante uma prova na cidade de Patos.

Para a atleta, o segredo das ultramaratonas está no respeito ao planejamento.

“Faça na prova exatamente o que você treinou. Se tentar inventar um ritmo que não preparou, o corpo cobra”, alertou.

Evolução tecnológica muda a corrida de rua

Outro tema debatido no podcast foi a transformação tecnológica no universo da corrida. Hermes de Luna e os convidados relembraram uma época em que os corredores treinavam sem relógios com GPS, aplicativos de monitoramento ou tênis com placa de carbono.

Eliana Morena contou que, no início da carreira, corria apenas com um celular no bolso e utilizava métodos improvisados para reposição de sais minerais durante provas longas.

“Eu levava azeitonas no bolso para repor o sal perdido durante o esforço”, recordou, em tom descontraído.

Hoje, segundo os participantes, o cenário é completamente diferente. O crescimento do mercado esportivo ampliou o acesso a suplementos, vestuário tecnológico, tênis de alta performance e dispositivos inteligentes voltados para corredores amadores.

Apesar dos avanços, os atletas fizeram um alerta sobre os riscos da busca imediata por resultados, impulsionada principalmente pelas redes sociais. Segundo eles, muitos iniciantes acabam pulando etapas importantes do treinamento e recorrendo à automedicação ou ao uso inadequado de substâncias para melhorar desempenho.

“O processo precisa ser respeitado. A corrida não pode virar apenas uma vitrine”, pontuou Hermes de Luna.

Saúde preventiva e fortalecimento muscular

Os convidados também reforçaram a importância do acompanhamento médico constante para atletas de endurance. Exames cardiológicos, avaliações físicas e monitoramento sanguíneo fazem parte da rotina dos maratonistas antes do início dos ciclos de preparação mais intensos.

Além disso, o fortalecimento muscular foi apontado como peça fundamental para prevenção de lesões comuns entre corredores, como fascite plantar, dores articulares e problemas musculares.

Academia, fisioterapia esportiva e modalidades inspiradas no crossfit passaram a integrar a preparação de atletas amadores que buscam longevidade no esporte.

Próximos desafios já estão definidos

Mesmo após experiências intensas em provas longas, os atletas seguem estabelecendo novas metas. Rafael Holanda já iniciou a preparação para disputar a tradicional Maratona de Porto Alegre, uma das mais rápidas do Brasil.

Já Eliana Morena direciona seus treinamentos de força e resistência para enfrentar a altimetria desafiadora da Maratona de João Pessoa.

Ao encerrar o episódio, Hermes de Luna destacou o papel social da corrida de rua e sua contribuição para a saúde pública. Para o apresentador, o crescimento do esporte ajuda diretamente na medicina preventiva ao estimular hábitos mais saudáveis e reduzir problemas relacionados ao sedentarismo.

“A corrida tira pessoas dos hospitais e leva para as ruas em busca de qualidade de vida”, concluiu.

Com relatos inspiradores e discussões sobre disciplina, saúde e superação, o podcast “Eu, Corredor” reforça como a corrida de rua se consolidou não apenas como prática esportiva, mas como um movimento coletivo de transformação física e emocional.

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