A edição de 2026 da New Balance 42K Porto Alegre entrou para a história do atletismo brasileiro ao registrar o recorde de uma maratona disputada em solo nacional, reunir mais de 21,5 mil participantes, distribuir uma premiação superior a R$ 1 milhão e contar com a presença do maior maratonista da atualidade, o queniano Eliud Kipchoge. Mas, ao mesmo tempo em que a elite esportiva comemorava marcas históricas, milhares de corredores amadores relataram problemas de organização que dominaram as redes sociais e obrigaram a organizadora a reconhecer as falhas e anunciar mudanças para a próxima edição.
O resultado foi uma prova marcada por dois cenários distintos: um sucesso esportivo internacional e uma experiência operacional bastante contestada por parte dos participantes.
Recordes colocam Porto Alegre no mapa mundial das maratonas
No aspecto esportivo, a NB 42K alcançou o objetivo de consolidar Porto Alegre como uma das provas mais rápidas da América do Sul.
O marroquino Zineddine Ouria venceu a maratona masculina em 2h08min49s, estabelecendo um novo recorde para provas realizadas no Brasil. O compatriota Aziz Ait Ourkia ficou em segundo lugar, seguido pelo queniano Thomas Kibet Maru.
Entre as mulheres, a marroquina Kaoutar Kahhaz venceu com o tempo de 2h32min58s, à frente da etíope Sadiya Awel Shure e da australiana Tara Melissa Palm.
Outro destaque foi o brasileiro Fábio Jesus Correia, estreante na distância dos 42 quilômetros. Ele concluiu a prova em 2h10min43s, tornando-se o brasileiro mais rápido da história em uma maratona disputada no país, superando uma marca que pertencia a Vanderlei Cordeiro de Lima desde 2002.
Já Marina Richwin foi a melhor brasileira entre as mulheres, terminando na quinta colocação com 2h36min58s.

Eliud Kipchoge atrai atenções
A principal atração da prova foi o bicampeão olímpico Eliud Kipchoge, considerado um dos maiores maratonistas de todos os tempos.
O queniano participou da corrida dentro do projeto Eliud Running World, iniciativa voltada para arrecadar recursos destinados a projetos educacionais e ambientais.
Kipchoge terminou na 12ª colocação, com 2h18min39s, e protagonizou um dos momentos mais emocionantes do evento ao percorrer o alambrado após a chegada para cumprimentar o público e tirar fotos com os fãs.
Também chamou atenção a participação do veterano Francisco, de 93 anos, que completou mais uma maratona e foi bastante celebrado pelos participantes.
Redes sociais expõem problemas de organização
Se a elite comemorava resultados históricos, a experiência dos corredores amadores ganhou outro tom.
Horas após o encerramento da prova, vídeos e relatos publicados nas redes sociais passaram a listar uma série de problemas operacionais.
O vídeo divulgado pelo influenciador Athos Corrêa repercutiu rapidamente ao questionar:
“Quando um evento cresce demais, quem paga o preço? A marca? A organização? Ou as milhares de pessoas que compraram uma experiência e receberam algo muito diferente do que esperavam?”
As críticas se multiplicaram em diferentes plataformas.
Principais reclamações
Entre os problemas mais citados pelos corredores estavam:
Um dos relatos mais compartilhados foi o do corredor Paulo Bezerra, que afirmou ter esperado quase três horas para recuperar seus pertences após concluir a prova.
Outro participante resumiu a situação afirmando que “a alma da corrida era o povo, mas até os staffs pareciam perdidos”.
Reações divididas
Apesar das críticas, parte dos participantes avaliou positivamente alguns aspectos da prova.
Foram elogiados:
Alguns corredores defenderam que os problemas operacionais não diminuem o potencial da maratona.
Em uma das avaliações mais compartilhadas nas redes sociais, um participante afirmou que a prova “tem potencial para ser uma das maiores do Brasil, desde que aprenda com os erros desta edição”.
Prefeitura comemora sucesso esportivo
Enquanto as críticas ganhavam espaço entre os corredores, a Prefeitura de Porto Alegre destacou os impactos positivos do evento.
O prefeito Sebastião Melo, que também participou da corrida, afirmou que a cidade reforçou sua posição como destino esportivo.
Segundo ele, Porto Alegre recebeu milhares de visitantes e consolidou sua imagem como “capital das maratonas”.
O secretário municipal de Esporte e Lazer, Lucas Siqueira, destacou que o recorde brasileiro, a presença de atletas internacionais e a participação de Eliud Kipchoge colocam definitivamente a capital gaúcha entre os principais palcos das corridas de rua.
Organizadora reconhece falhas
Diante da repercussão negativa, a Run Sports, responsável pela organização da prova, divulgou nota oficial reconhecendo os problemas operacionais.
A empresa afirmou lamentar os transtornos, informou que todos os episódios estão sendo analisados e anunciou mudanças estruturais para a edição de 2027.
Entre as principais medidas anunciadas estão:
Segundo a organizadora, o objetivo é oferecer uma experiência compatível com os padrões da prova nas próximas edições.
Um alerta para o mercado das corridas
A edição de 2026 da NB 42K Porto Alegre deixa um recado importante para o mercado de eventos esportivos.
Os recordes, a presença de grandes estrelas, a premiação milionária e a visibilidade internacional consolidaram a prova entre as principais maratonas do país.
Por outro lado, os relatos de problemas logísticos evidenciaram que o crescimento acelerado das corridas de rua exige investimentos proporcionais em infraestrutura, planejamento e atendimento aos milhares de corredores amadores, que representam a maior parte dos inscritos e financiam esses eventos.
O desafio para as próximas edições será equilibrar o alto nível técnico da elite com uma experiência segura, organizada e eficiente para todos os participantes. Somente assim uma prova poderá ser lembrada não apenas pelos recordes, mas também pela qualidade da experiência oferecida a quem cruza a linha de largada e de chegada.