Para 63,8%, correr é desafio de autonomia real
3 de maio de 2026
Redação

Uma pesquisa inédita sobre comportamento e hábitos no Brasil revela que a corrida de rua tem ganhado um novo significado no cotidiano das pessoas. Mais do que uma prática esportiva, correr passou a representar uma forma de escapar da lógica dos algoritmos, cada vez mais presente na rotina digital.

O estudo “Reset da Mesmice”, realizado pela Heineken® em parceria com a consultoria Box 1824, mostra que 63,8% dos corredores enxergam a atividade como um momento de autonomia real. Ou seja, um espaço em que decisões, ritmo e desempenho dependem exclusivamente do próprio indivíduo, sem interferência de recomendações automáticas, notificações ou padrões impostos por plataformas digitais.

Esse dado ajuda a explicar por que a corrida vem crescendo também como ferramenta de equilíbrio emocional. Em um cenário marcado pelo excesso de estímulos e pela hiperconectividade, o ato de correr surge como uma pausa ativa — um momento em que corpo e mente retomam o controle.

Além do aspecto individual, a pesquisa aponta um impacto importante nas relações sociais. Cerca de 62,5% dos entrevistados afirmam que passaram a fazer novas amizades por meio da corrida. Diferente das conexões mediadas por redes sociais, esses encontros acontecem de forma espontânea, em treinos coletivos, provas ou grupos de corrida, reforçando o caráter mais humano e direto da interação.

Apesar disso, o levantamento também identifica uma mudança em curso: a influência da tecnologia dentro do próprio esporte. Hoje, 26,4% dos corredores dizem que a atividade ainda funciona como um momento de respiro, mas já percebem a presença crescente de aplicativos que monitoram desempenho, traçam metas e orientam treinos. Esse movimento indica que, mesmo sendo um refúgio, a corrida não está totalmente imune à lógica da performance e da otimização.

Ainda assim, os benefícios de se desconectar continuam evidentes. Quase metade dos participantes (44,8%) relata sensação de mente mais leve após períodos longe de telas, enquanto 40% dizem ter mais energia para outras atividades do dia a dia. Os números reforçam a ideia de que a prática contribui não apenas para a saúde física, mas também para o bem-estar mental.

Especialistas envolvidos na pesquisa apontam que esse comportamento reflete uma mudança mais ampla na forma como as pessoas lidam com o tempo e com as experiências. Em vez de buscar apenas resultados ou produtividade, cresce o interesse por atividades que proporcionem presença, liberdade e conexão real.

Compartilhe: