Durante anos, a atividade física foi associada principalmente à estética, à hipertrofia ou à perda de peso. Hoje, esse entendimento começa a mudar entre CEOs, empresários e profissionais em posições de alta responsabilidade. Para esse público, a preparação física passou a ocupar lugar estratégico: sustentar energia, clareza mental, resistência ao estresse e longevidade funcional em rotinas marcadas por alta pressão.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 31% dos adultos no mundo não atingem os níveis recomendados de atividade física, enquanto a inatividade pode gerar um custo estimado de US$ 300 bilhões aos sistemas públicos de saúde entre 2020 e 2030. Outro levantamento, realizado pela OMS em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), aponta que jornadas de 55 horas ou mais por semana aumentam significativamente o risco de AVC e doenças cardiovasculares, reforçando o impacto das rotinas intensas sobre a saúde de longo prazo.

É nesse contexto que centros especializados em longevidade e alta performance ganham relevância. No VICCI Studio, em São Paulo, a proposta é substituir programas genéricos por uma abordagem orientada por dados, avaliação biomecânica e acompanhamento individualizado. O objetivo não é apenas melhorar força ou composição corporal, mas compreender como cada organismo responde aos estímulos físicos, cognitivos e funcionais.
“O executivo de hoje entende que performance não significa apenas força física ou músculos aparentes. Dormir melhor, reduzir desconfortos provocados por longas jornadas, manter energia ao longo do dia e preservar o raciocínio rápido passaram a fazer parte das metas de quem precisa sustentar resultados consistentes”, afirma André Trombini, diretor de wellness e performance do VICCI Studio.
Antes de iniciar o programa, cada membership passa por um mapeamento biomecânico que identifica assimetrias, limitações de mobilidade, estabilidade, coordenação e padrões de movimento. A partir dessa leitura, os protocolos são desenvolvidos para ampliar a eficiência, reduzir riscos e otimizar cada minuto dedicado à preparação física.
O processo é apoiado por equipamentos inteligentes, biofeedbacks e métricas em tempo real, permitindo ajustes de acordo com o desempenho apresentado em cada sessão. A tecnologia ajuda a calibrar estímulos físicos e cognitivos, desafiando força, equilíbrio, agilidade, foco e tempo de reação.
Essa mudança de comportamento já faz parte da rotina do empreendedor Henrique Barros, CEO da Hello Me. Acostumado a utilizar tecnologia para acompanhar indicadores de desempenho no ambiente corporativo, ele passou a aplicar a mesma lógica aos cuidados com a própria saúde.
“Eu acredito que a tecnologia e os dados devem ser o nosso principal guia para melhorar a performance. Já utilizava dispositivos para acompanhar meus
treinos e a qualidade do sono, e hoje organizo boa parte da minha rotina com base nessas informações”, conta.
Segundo Barros, os benefícios vão além do condicionamento físico e impactam diretamente sua atuação profissional.
“Percebi mais energia, disposição e qualidade de vida. Também aprendi a respeitar mais o meu corpo. Hoje entendo que treino e regeneração fazem parte do mesmo ciclo. Existe até uma frase muito usada lá fora que resume bem isso: train, recover, repeat.”
Para o executivo, cuidar da saúde deixou de ser uma atividade complementar e passou a fazer parte da estratégia para manter um alto nível de desempenho.
“Não consigo imaginar uma pessoa que tenha alta performance executiva sem treinos e disciplina. O treino é a primeira atividade do meu dia. Sem ele, dificilmente conseguiria manter o nível de performance no restante da rotina.”
Para Trombini, esse comportamento reflete uma transformação mais ampla na forma como executivos encaram o exercício físico.
“Estamos vivendo uma mudança cultural. O exercício deixou de ser apenas uma questão estética ou um momento de lazer e passou a ser um investimento em saúde, longevidade e performance. Quando tecnologia, ciência do movimento e acompanhamento profissional trabalham juntos, conseguimos oferecer experiência personalizada e eficiente.”
O movimento acompanha uma tendência global. Segundo o Global Wellness Institute, a economia do bem-estar movimentou cerca de US$ 6,8 trilhões em 2024 e deve se aproximar de US$ 10 trilhões até 2029, impulsionada pela crescente busca por prevenção, qualidade de vida e envelhecimento saudável. Nesse cenário, a preparação física orientada por dados ganha espaço como uma ferramenta para quem busca manter alta performance dentro e fora do ambiente corporativo.